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A Imanência do movimento
Ioana Radu
Capítulo 1
ÁGUAS
O pincel: filmes 35mm
A razão suprema: narrar
A razão egocêntrica: lembrar tudo, esquecer jamais
A razão orgânica: habitar
(Me) tenho tecido um dicionário sobre o habitar, um dicionário de contos narrados em imagens, quando as palavras faltam ou, pior, sobram.
A minissérie ‘Águas’ é a primeira parte de um projeto analógico em película 35mm sobre os micromundos dentro de um território distante e alheio: a região de Aysén, no extremo sul do Chile. Os retratos das águas são retratos de nós mesmos, das nossas relações com as paisagens que habitamos e que nos habitam. Como todas as relações de convivência, elas se enchem de emoções, conflitos, inseguranças e labutas.
A água, enquanto paisagem intrínseca de Aysén, foi super-retratada comercialmente: “Aysén, reserva de vida”, “a água mais pura”, “a água mais cristalina”, “a água mais abundante”. Naturalmente, seu valor vai além de seu poder mercantil.
Seu valor é impregnado, intrinsecamente, por um simbolismo que fala da vida em territórios remotos, onde a água é companheira, um bem comum, não restrito. É a riqueza dos campos cultivados na primavera, a alegria dos banhos no verão, a beleza das madrugadas enevoadas no outono, o silêncio dos dias brilhantemente nevados no inverno.
A água inunda nossos sentimentos, se soubermos olhá-la. Ela nos fala da dualidade entre ubiquidade e imanência, o sentido de tudo. Como as águas, anseio pela ubiquidade — meu errar começa uma e outra vez, nunca termina. O errar cíclico, repetitivo, sempre igual, sempre diferente, imanente. E assim começa a busca, minha busca pelo constantemente fugaz, meu hábito. O hábito do caminho sempre aberto para possibilidades infinitas, indefinidas.












