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Categoria: Federico Murua

Desenvolvimento e Diversidade do Fotojornalismo no Peru: fotógrafos que estão fazendo história e expandindo a linguagem
Nos últimos anos, o Peru tem vivenciado um notável crescimento no campo do fotojornalismo. Um número significativo de fotojornalistas, fotógrafos documentaristas e jovens criadores estão transformando a maneira como as histórias visuais são contadas, transbordando os limites tradicionais da linguagem fotográfica e explorando temas que vão desde realidades sociais cotidianas até dinâmicas políticas e culturais complexas. Esse fenômeno se reflete não apenas em festivais e premiações internacionais, mas também em uma produção constante de imagens que ressoam com o público local e global. A seguir, exploramos como esse ecossistema está se moldando, quais estilos e linguagens coexistem, quais temas estão em destaque e o que esses desenvolvimentos significam para o futuro do jornalismo visual na região.

Isabel Condori, mãe de Nelson Pilco, vítima do massacre de Juliaca, ocorrido dia 9 de janeiro. Nelson saiu da sua casa, depois do almoço com sua mãe e foi atingido por uma bala no tórax que lhe causou a morte. “Quero justiça para meu filho”. Fotografia de Alejandra Elías Um ecossistema em crescimento.
O Peru possui uma comunidade de fotojornalistas enriquecida por diversos fatores: escolas e oficinas especializadas, acesso a novas tecnologias (câmeras mais leves, drones, edição móvel), proliferação de plataformas de distribuição e maior visibilidade internacional por meio de festivais, bienais e projetos colaborativos. Fotógrafos como Musuk Nolte, Roberto Huarkaya, Leslie Searles, Pilar Pedraza, Alejandra Orosco e coletivos como o Versus são apenas alguns exemplos de fotógrafos peruanos representativos.Os tempos atuais trouxeram mudanças tecnológicas globais, com seus prós e contras; o mundo do fotojornalismo peruano não escapou delas. A partir da formação e de redes de comunidades de aprendizagem, coletivos e festivais que conectam fotógrafos locais com mentores e colegas internacionais. Essas redes facilitam a circulação de ideias, técnicas e referências visuais que enriquecem o vocabulário narrativo do fotojornalismo peruano.
A força do fotojornalismo peruano contemporâneo reside não apenas na visão individual de cada fotógrafo, mas também na rede de atores que se forma em torno dessas imagens. Essas redes, formais e informais, geram um ecossistema de apoio, aprendizado e circulação que multiplica o impacto do trabalho. A tecnologia acessível e a democratização das ferramentas digitais permitiram que mais fotógrafos, mesmo aqueles de comunidades menos favorecidas ou fora da capital peruana, produzissem e distribuíssem imagens de alta qualidade. O acesso a câmeras, aplicativos de edição e plataformas de distribuição, como mídias sociais ou portfólios online, abre um amplo leque de possibilidades para a narrativa visual. A barreira tecnológica que tradicionalmente limitava muitos fotojornalistas diminuiu consideravelmente, graças a ferramentas mais acessíveis e plataformas de distribuição aberta. Se somarmos a isso o apoio institucional, que, embora não seja extenso, tem proporcionado recursos e visibilidade por meio de fundações, jornalismo investigativo e projetos de cooperação internacional, viabilizando projetos de longo prazo que exigem tempo, pesquisa e uma abordagem rigorosa e ética.
Esse contexto criou um mosaico de vozes e abordagens que coexistem no cenário peruano, onde a experimentação e o rigor jornalístico se entrelaçam para retratar a realidade do país sob múltiplas perspectivas.

Demetrio Aroquipa e Dominga Hancco, pais de Jhamileth Aroquipa, vítima do massacre de Juliaca, ocorrido dia 9 de janeiro. Os três foram comprar comida próximo ao aeroporto quando a garota foi atingida por uma bala. Ainda que seus pais a tenham a levaram ao posto de saúde e depois a um hospital, Jhamileth faleceu aos somente 17 anos de idade. Fotografia de Alejandra Elías Novos tempos, novas formas de contar histórias
A diversidade de linguagens e abordagens fotográficas no Peru se observa por meio de uma pluralidade de estilos que vão da estética documental clássica a experimentos formais que rompem com a linearidade narrativa tradicional. Algumas tendências e abordagens se destacam como padrão atual, como o documentário clássico com uma perspectiva contemporânea; muitas imagens permanecem fiéis à construção documental rigorosa, onde a iluminação, a composição e os detalhes permitem a revelação de realidades complexas sem recorrer ao sensacionalismo. A ética da representação e o respeito pelas pessoas retratadas são constantes nesses projetos.Outro aspecto importante a ser observado é a fotografia social crítica que se desenvolve no Peru atualmente. Diversos fotógrafos capturam realidades de pobreza, desigualdade, migração interna, conflitos trabalhistas e tensões urbanas, buscando fornecer contexto, uma voz para as comunidades e uma perspectiva empática que vai além do simples testemunho do evento. Fotógrafas como Alejandra Elías concentram seu trabalho no fotojornalismo e no documentário de direitos humanos, conquistando reconhecimento internacional, como o Prêmio Poy Latam de 2023 na categoria “Retratos” por seu trabalho “Os 9 de Juliaca”. Linguagens visuais híbridas e binárias são evidentes, com fusões entre fotografia, texto, gráficos e videografia, onde a narrativa se baseia em camadas de informação, dados e depoimentos para construir histórias mais complexas e acessíveis para públicos diversos.
Coletivos e projetos colaborativos também são importantes, onde muitos fotógrafos se organizam e compartilham recursos, opiniões e projetos. Essas coalizões permitem a exploração de temas amplos com equipes de apoio — assistentes, retocadores, tradutores e revisores — o que eleva a qualidade e a profundidade editorial das histórias. A mentoria e a transferência de conhecimento por meio de workshops, encontros e programas proporcionam aos fotógrafos emergentes acesso às experiências de veteranos, aprendendo técnicas de iluminação, retrato, reportagem de campo e ética jornalística. Essa dinâmica de aprendizado acelerou a profissionalização e fortaleceu uma ética compartilhada de responsabilidade para com as comunidades retratadas. Redes internacionais, intercâmbios e alianças com fotojornalistas e festivais estrangeiros facilitam a troca de experiências, projetos conjuntos e oportunidades de exposição. Intercâmbios culturais e residências estabelecidas por fundações e universidades ampliam as referências visuais e abrem portas para o público global.
O desenvolvimento e a diversidade do fotojornalismo no Peru refletem uma trajetória de evolução complexa e reinvenção constante. Das primeiras imagens que registravam o cotidiano das cidades e vilas às narrativas contemporâneas que abordam perspectivas internacionais, esse campo expandiu suas linguagens para contar histórias com uma gama mais ampla de abordagens, técnicas e mídias. Em um país de contrastes geográficos e culturais, o O fotojornalismo encontrou nas profundezas de suas realidades a matéria-prima para construir memória, denunciar injustiças e fomentar a empatia.
Uma de suas características mais marcantes é a pluralidade de perspectivas. Fotógrafos diversos, provenientes de diferentes contextos sociais e regionais, enriquecem o panorama: vida urbana e periferias, tradições andinas e amazônicas, revelações sobre processos migratórios, crises ambientais e desastres naturais, mas também o cotidiano, o humor e a resiliência das comunidades. Essa variedade não apenas amplia as vozes, mas também os formatos e plataformas de narrativa: reportagens aprofundadas, crônicas gráficas, fotojornalismo de dados, séries documentais e peças multimídia que integram imagens, texto e som.
A linguagem visual se expandiu para se adaptar a um mundo cada vez mais acelerado que exige impacto imediato. O uso de enquadramentos intimistas, sequências seriadas, abordagens atmosféricas e técnicas de cor e composição se combinam com novas práticas: fotografia móvel, laboratórios digitais, edição colaborativa e projetos participativos. O resultado é a capacidade de contar verdades complexas de forma acessível, sem sacrificar o rigor ético e contextual. Nesse sentido, a ética da representação e a verificação dos fatos permanecem pilares fundamentais que permitem aos fotógrafos manter a confiança do público e das comunidades que retratam.
A educação e a memória institucional também desempenham um papel crucial. Escolas de fotografia, arquivos, prêmios e exposições públicas mantêm viva a discussão sobre a função social do fotojornalismo. Da mesma forma, as plataformas digitais permitem que vozes de diferentes partes do país alcancem públicos nacionais e internacionais, democratizando o acesso à informação e, ao mesmo tempo, aumentando a responsabilidade do fotógrafo com as realidades que documenta.
Olhando para o futuro, o fotojornalismo no Peru parece ser impulsionado por uma ética de diversidade, inovação e conectividade. Os fotógrafos que estão fazendo história hoje estão ultrapassando limites: transformando imagens estáticas em narrativas dinâmicas, cruzando fronteiras culturais e interagindo com públicos diversos. Juntos, eles criam um arquivo vivo de memória coletiva, onde o local se torna universal e onde as histórias do cotidiano peruano se transformam em testemunhos de valor humano e social.

Vilma Quispe, filha de Marcos Quispe, vítima do massacre de Juliaca, ocorrido dia 9 de janeiro. Marcos e Vilma foram caminhar próximo ao aeroporto. Ao ver a repressão, Marcos decidiu ajudar as outras pessoas. “Me disse: Volto em cinco minutos, mas lamentavelmente meu pai nunca voltou”. Morreu por uma ferida cometida por um projétil de arma de foto no tórax e no cotovelo esquierdo. Fotografia de Alejandra Elías Argentina/Venezuela. 1976. Fotojornalista (CRGV 2017). Licenciado em Educação (UNEG 2004). Fotógrafo Documentarista. Professor de Produção Audiovisual (UNEARTE 2025). Criador de conteúdo sobre Fotografia Latino-Americana. Pesquisador Cultural de Ritmos Afrodescendentes. Professor da Escola de Comunicação Social (UBA 2017). Autor de um livro sobre fotografia latino-americana (2025, em andamento).

Promeseros

Este projeto, “Promeseros” (Peregrinos), é um projeto pessoal que levou cerca de três anos para ser produzido, incluindo documentação, pesquisa e entrevistas, o que me permitiu mergulhar completamente no tema. Gauchito Gil é um santo popular, amplamente venerado pelos argentinos, independentemente do nível sociocultural ou da filiação política. Todos os anos, ele atrai centenas de milhares de devotos ao seu santuário na cidade de Mercedes, na província de Mercedes, a cerca de 1200 km de Buenos Aires. A coleta de imagens de devoção, gratidão e/ou súplicas serve como uma forma de demonstrar como a fé e a esperança das pessoas se apegam às suas crenças, ao mágico-religioso, ao espiritual.
Doze imagens selecionadas dentre mais de 800 tiradas durante a peregrinação de três dias em ação de graças ao santo. Homens, mulheres e crianças se reúnem vindos de todo o país e até mesmo de países vizinhos como Bolívia, Paraguai e Brasil, ou inclusive de países europeus como Espanha, França e Itália, para venerá-lo e oferecer presentes que vão desde cigarros, vinho e roupas até relíquias de família, vestimentas e até carros. Não existe outra manifestação mágico-religiosa na Argentina que apresente esse tipo específico de comportamento entre seus fiéis.
“Promeseros” (Peregrinos) é um projeto fotográfico que busca projetar os sentimentos da cultura latino-americana mais íntima e menos invadida ou contaminada, moldada pelos processos de colonização e pela transculturação que ela trouxe.







Argentina/Venezuela. 1976. Fotojornalista (CRGV 2017). Licenciado em Educação (UNEG 2004). Fotógrafo Documentarista. Professor de Produção Audiovisual (UNEARTE 2025). Criador de conteúdo sobre Fotografia Latino-Americana. Pesquisador Cultural de Ritmos Afrodescendentes. Professor da Escola de Comunicação Social (UBA 2017). Autor de um livro sobre fotografia latino-americana (2025, em andamento).















