Seu carrinho está vazio no momento!
✴︎
Baque Solto

Fevereiro de 2026
Nazaré da Mata
Pernambuco, Brasil
Entoado pela levada hipnótica do tarol e pelos versos improvisados do mestre sambador, o maracatu pede passagem. Original da zona da mata norte de pernambuco, o maracatu de baque solto, ou maracatu rural, é uma expressão cultural levada adiante pela população rural que mistura elementos místicos, ritualísticos e festivos. Os folguezões carregam simbolismos sincréticos que evocam o cruzamento de culturas europeias, indígenas e afrodiaspóricas.
A celebração do maracatu começa na produção artesanal das roupas, feitas pelas mãos grossas de trabalhadores rurais dos canaviais. São netos, avós, mães e filhos que sustentam ano a ano a tradição. Com movimentos rápidos, o caboclos protegem o perímetro, enquanto baianas rodam suas saias para limpar as energias para a chegada da realeza.
Os caboclos de lança, figura responsável pela proteção física do cortejo, é uma das personagens mais conhecidas. Eles passam por uma preparação espiritual que envolve abstinência sexual, bênção da lança, juramento de fidelidade e consumo de azougue, uma bebida que lhe dá energia durante o cortejo. O cravo que leva em sua boca é sua proteção.
O maracatu rural é presença viva, formado por coletividades de humanos e entidades, os saberes de seu ritual são sagrados e movimentam por dentro os corpos de pessoas simples que sustentam seu compromisso com seus terreiros, ternos e agremiações. Entre estrelas brilhantes, leões coroados, piabas de ouro, está o espírito que sustenta comunidades e as faz preservar seu legado. O maracatu pesa uma tonelada e, mesmo assim, flutua e encanta o imaginário cultural brasileiro.













Fotógrafo sediado em São Paulo, Brasil
Ativista socioambiental, poeta e fotógrafo nascido em São Paulo, Brasil, tem seu trabalho inspirado na cultura popular e na natureza, com profundo interesse no sutil e em desimportâncias. Desde 2009, busca fotografias que expressam sentimentos e que carregam simbolismos e forças que emanam da terra.
@andrebiazoti
