Seu carrinho está vazio no momento!
Tag: Português

Costurando memórias, Suturando ausência

Livro-objeto costurado à mão em homenagem à minha avó materna, Helena, que me criou e era costureira.
A primeira parte é composta por fotografias de família, imagens dela sozinha e comigo, impressas sobre tecido. Essas imagens são atravessadas por um bordado em ponto zigue-zague, que percorre as páginas como um traço evocando o movimento instável e pulsante da vida. As folhas são intercaladas com papel vegetal, criando pausas, respiros e camadas de tempo.
No centro do livro, inicia-se a seção “Suturando ausência”, marcada pela data de sua morte: 11 de outubro de 2020.
A partir desse ponto, o trabalho se desloca para imagens produzidas por mim após o enterro. Fotografias da casa vazia, a cadeira favorita, os corredores, a escada, a janela do quarto são atravessadas por gazes e intervenções que remetem a curativos. A casa torna-se a ferida aberta, tentativa de contenção do que sente.
Nas imagens busco representar o silêncio instaurado pela ausência.O bordado, então, se modifica do zigue-zague para uma linha reta, contínua, afirmando a interrupção e a finitude da vida.
O livro se encerra com uma sutura feita com gaze, gesto final que não fecha a ferida, mas a mantém visível como memória, como presença










Artista visual, com especialização em fotografia expandida, de ascendência Guarani Mbya, negra e europeia. Vive na Chapada Diamantina (BA). Transita entre fotografia artística e processos manuais, investigando a imagem além do registro. Combina trabalhos com desenho, arte têxtil, antotipia, cianotipia e fitotipia. Pesquisa natureza e ancestralidade, tensionando memória, presença e permanência. Participou de exposições no Centro Cultural dos Correios (RJ) e no Centro Cultural de Niterói, com Marcas como sinal de existência e Caça à bruxa.
Teve trabalhos publicados em revistas digitais e recebeu um prêmio pelo Fotoclube ABCInstagram: @manivaz_artevisual
Cara: @manivaz
Baque Solto

Fevereiro de 2026
Nazaré da Mata
Pernambuco, BrasilEntoado pela levada hipnótica do tarol e pelos versos improvisados do mestre sambador, o maracatu pede passagem. Original da zona da mata norte de pernambuco, o maracatu de baque solto, ou maracatu rural, é uma expressão cultural levada adiante pela população rural que mistura elementos místicos, ritualísticos e festivos. Os folguezões carregam simbolismos sincréticos que evocam o cruzamento de culturas europeias, indígenas e afrodiaspóricas.
A celebração do maracatu começa na produção artesanal das roupas, feitas pelas mãos grossas de trabalhadores rurais dos canaviais. São netos, avós, mães e filhos que sustentam ano a ano a tradição. Com movimentos rápidos, o caboclos protegem o perímetro, enquanto baianas rodam suas saias para limpar as energias para a chegada da realeza.
Os caboclos de lança, figura responsável pela proteção física do cortejo, é uma das personagens mais conhecidas. Eles passam por uma preparação espiritual que envolve abstinência sexual, bênção da lança, juramento de fidelidade e consumo de azougue, uma bebida que lhe dá energia durante o cortejo. O cravo que leva em sua boca é sua proteção.
O maracatu rural é presença viva, formado por coletividades de humanos e entidades, os saberes de seu ritual são sagrados e movimentam por dentro os corpos de pessoas simples que sustentam seu compromisso com seus terreiros, ternos e agremiações. Entre estrelas brilhantes, leões coroados, piabas de ouro, está o espírito que sustenta comunidades e as faz preservar seu legado. O maracatu pesa uma tonelada e, mesmo assim, flutua e encanta o imaginário cultural brasileiro.













Fotógrafo sediado em São Paulo, Brasil
Ativista socioambiental, poeta e fotógrafo nascido em São Paulo, Brasil, tem seu trabalho inspirado na cultura popular e na natureza, com profundo interesse no sutil e em desimportâncias. Desde 2009, busca fotografias que expressam sentimentos e que carregam simbolismos e forças que emanam da terra.@andrebiazoti

Fotolibro de Fotografía Documental
Este fotolivro é resultado do curso Fotografía Documental, ministrado pela professora e fotógrafa Daniella Fernández Realin na plataforma ContraLuz. Os encontros contaram com a participação de fotógrafxs de vários países da América Latina, com diferentes enfoques, linguagens e abordagens frente à temas relevantes em seus territórios.
Cada estudante apresenta neste fotolivro um resumo ensaio fotográfico que desenvolveu ao longo das seis aulas do curso e que pode ser conferido na íntegra na seção Imágens Circulantes no site do ContraLuz.

Pessoas em Situação de Rua


O crescimento das pessoas em situação de rua no mundo é alarmante e está presente em praticamente todos os países.
As razões para uma pessoa estar na situação de rua são múltiplas e envolvem desde pobreza extrema, problemas psicológicos, violência e/ou desestruturação familiar, alcoolismo, vício em drogas, entre outros. Contudo, muitos destes problemas aparecem em conjunto e somente estão visíveis quando estas pessoas já se encontram muitos anos nesta situação e, podem ser consequências dessa condição vulnerável.
Um dos indícios desse pensamento é o fato de que o país mais rico do mundo, EUA, são aqueles com mais pessoas em situação de rua no mundo, cerca de 770 mil pessoas em 2024[1], o que pode indicar uma crise global causada pela forma como nossas sociedades se desenvolvem preocupadas com mais acesso a bens e serviços. Uma sociedade que valoriza o desempenho e o sucesso, que não pode ser para todos, causa depressão entre outras doenças e a sensação de cansaço e derrota naqueles que “não são bem sucedidos”[2].
No Brasil, há por volta de 350 mil pessoas em situações de rua atualmente segundo o Cadastro Único de Programas Sociais[3]. Ainda que o número possa ser maior, é uma boa estimativa, já que as grandes cidades como São Paulo e Rio de Janeiro, concentram mais da metade dessas pessoas.





Fotografar as pessoas em situação de rua é um desafio. Na maioria das vezes invisíveis para a população das cidades, as pessoas em situação de rua precisam ser vistas como são: pessoas, com nome, lugar de onde vieram, desejos, angústias e histórias de vida. Assim que (fotos 3 e 4) vemos um corte de cabelo e barba no banco de praça, no centro de São Vicente, litoral paulista, o cuidado com a aparência entre pessoas em situação de rua, algo pouco comum nesta população.
Já a alegria do Márcio (foto 9) se refrescando na fonte da Praça da Sé, em São Paulo, numa manhã quente de domingo deste último setembro, mostra que nem somente de tristeza se vive na rua. Ele me disse que é baiano de Salvador, e está há 7 anos na capital paulista, e todas as noites tem um local pra dormir na Vila Mariana, mas vem durante o dia para o centro da cidade em busca de conseguir recursos para comer. Eu pedi para fotografá-lo e lhe dei algum dinheiro, e nos abraçamos.
Mas foi com Jonny (fotos 10 e 11) um carioca que registrei em frente aos Arcos da Lapa no Rio de Janeiro que vi ao mesmo tempo a desconfiança comum das pessoas em situação de rua, se transformar em alegria de ter alguém pra escutá-lo, saber um pouco dos caminhos que o levaram para a rua, mas que naquele momento, na pequena conversa eu entendo ele se sentiu parte de algo. Também pedi para fotografá-lo, e quando terminei também ofereci algum dinheiro e nos abraçamos em despedida.
Nem sempre é possível se aproximar, conversar e saber sobre as pessoas em situação de rua, mas vejo como importante registrá-las mesmo que numa situação difícil mãe e filho na rua (foto 1), casal deitado na calçada (foto 6) ou mesmo um senhor dormindo na calçada com seu cachorro (este último que não tirou os olhos de mim). Enfim são imagens que buscam dar visibilidade para um problema presente, mas que já ficamos insensíveis pela correria do dia a dia.





[1] Número apresentado pelo Departamento de Moradia e Desenvolvimento Urbano dos EUA (HUD, em inglês) Fonte: https://www.bbc.com/portuguese/articles/cp3eqengwy5o
[2] Sociedade do Cansaço é o título e o conceito criado pelo pensador sul-coreano Byung-Chul Han sobre os excessos de estímulos e imposições da sociedade contemporânea sobre todos.
[3] O Cadastro Único é um registro que permite ao governo federal saber quem são e como vivem as famílias de baixa renda no Brasil. Fonte: https://www.gov.br/pt-br/servicos/inscrever-se-no-cadastro-unico-para-programas-sociais-do-governo-federal
Iniciou na fotografia analógica há 30 anos fotografando movimentos sociais, atividades de cultura popular brasileira, entre outros de forma autônoma. Formado em Ciências Sociais com mestrado em História Social com dissertação sobre a representação da cidade de Santos em cartões postais no início do século XX, atuou como professor e coordenador universitário por 20 anos. Retomando a fotografia com projetos sobre os temas relevantes para cultura e sociedade brasileira.
@mauricionuneslobo











































