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  • Urucum: Sagrado Vermelho

    Urucum: Sagrado Vermelho

    Este ensaio resulta de uma pesquisa visual longitudinal de 13 anos, fundamentada na etnografia visual e na observação participante. A prática fotográfica não é uma observação externa, mas uma interlocução dialógica com o povo Krahô, pautada pelo respeito ao tempo ritual e pela agência dos sujeitos.

    Antropologicamente, o trabalho dialoga com a antropologia do corpo e da performance. O urucum não é mero adorno, mas uma “segunda pele” que opera como marcador social e proteção ontológica contra entidades da floresta. As imagens evidenciam o corpo como território de inscrição da cultura. A experimentação fotográfica utiliza o realce cromático para evidenciar a materialidade do pigmento, articulando a ecologia local com a cosmologia Jê.

    O método envolve a curadoria de imagens que constroem uma narrativa de continuidade histórica. Ao focar em detalhes do manuseio e da pintura, a obra reflete sobre a agência indígena e a persistência de tradições ancestrais frente aos dilemas contemporâneos. A relação com os interlocutores permitiu um registro íntimo do “fazer” (preparo da bola de urucum) e do “ser” (a pele pintada), reafirmando a fotografia como ferramenta de reflexão sobre problemas antropológicos e salvaguarda da memória imaterial.

    Emerson Silva é fotógrafo e pesquisador visual com foco nas populações tradicionais do Tocantins. Há mais de duas décadas documenta a cultura Krahô, utilizando a fotografia como ferramenta de salvaguarda e diálogo intercultural. Seu trabalho busca a interseção entre o registro etnográfico e a experimentação estética, tendo participado de exposições e projetos voltados à valorização do patrimônio imaterial indígena e à preservação da biodiversidade do Cerrado.

  • Donde el agua guarda memoria

    Donde el agua guarda memoria

    Onde a água guarda memória é uma série que surge de um percurso pelos palafitos da Ciénaga de Santa Marta, onde a vida se sustenta sobre a água.

    Nesse ambiente instável, o cotidiano acontece entre reflexos, deslocamentos e estruturas suspensas. As casas flutuam, os caminhos se dissolvem e o limite entre interior e exterior torna-se difuso.

    Mais do que documentar um território, as imagens se aproximam de uma forma de habitar: uma relação constante com a água, onde o tempo parece se estender e tudo permanece em transformação.

    O que permanece não é um lugar fixo, mas uma memória que se desloca com a luz e o movimento.

    Diana Vargas é uma fotógrafa colombiana de arte contemporânea cujo trabalho explora a paisagem a partir de um olhar contemplativo e sensível.

    Em 2024, recebeu o Julia Margaret Cameron Award e expôs seu trabalho na FotoNostrum, em Barcelona. Em 2025, apresentou sua obra na Joyería Schumacher, em diálogo com peças de alta joalheria. Em 2026, participou da exposição Sentipensar el Territorio na Galería Permanente.