Nasci e me criei no sertão. Lembro da terra quente, da poeira e da falta de água que ainda castiga o semiárido. Quando chovia, o sol esfriava e a mata branca se vestia de verde. Era tempo de plantar para colher fartura. Desde criança caminhava pela caatinga, observando o silêncio, os pássaros e a vida que ali fazia morada. Vi os espinhos que ferem o vaqueiro, a carne secar ao sol e a criação que sustenta o sertanejo. Aprendi a reconhecer a força, os valores e a alegria do povo. Também lembro da feira, sempre movimentada e alegre. Até hoje ainda sonho que caminho entre as barracas procurando algo que não sei dizer, talvez uma lembrança, talvez um pequeno tesouro. Com o tempo, entendi que o sertão não é só um lugar. É parte de quem sou, o lugar que me formou e continua habitando em mim.



Sobre o artista

Joel Alencar, fotógrafo piauiense em São Paulo, Brasil.

Joel aproxima o sertão nordestino das ruas da cidade, mostrando pessoas, lugares, memória e pertencimento. Seu trabalho nasce da presença e do diálogo com os territórios e quem os habita. Idealizador do Coletivo Rua Brasil e Foto Nordeste, integra os hubs Street Avengers e A Rua Chama, e já expôs no Brasil e no exterior, incluindo festivais em São Paulo, Paraty, Arles e Itália.

@joelalencar