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Entre o Corpo e o Cipó

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Entre o corpo e o cipó é um projeto fotográfico de longo prazo que vem sendo desenvolvido no Centro Eclético Passarinho Branco, um espaço espiritual localizado na Amazônia acreana onde são realizados rituais com a ayahuasca, bebida sagrada de origem indígena preparada a partir do cozimento do cipó (jagube) e da folha (chacrona), em associação com as sete linhas da umbanda, religião afro-brasileira que cultua os orixás e entidades espirituais. O projeto nasce de uma relação de pertencimento: o artista é um dos filhos da própria casa espiritual onde as imagens são produzidas.


A partir de uma perspectiva interna, o projeto investiga os estados de transformação que emergem durante os rituais a partir do consagro da medicina sagrada (ayahuasca), observando gestos, cantos, expressões corporais e as atmosferas que atravessam essas experiências coletivas. As fotografias não buscam documentar os rituais de forma descritiva, mas traduzir visualmente aquilo que se manifesta entre o visível e o invisível: momentos de silêncio, concentração, entrega e conexão espiritual.


Na floresta amazônica, o cipó da ayahuasca é entendido como uma ponte entre mundos: entre o corpo e o espírito, entre memória, território e ancestralidade. Ao acompanhar esses rituais a partir de dentro, o projeto propõe uma reflexão sobre espiritualidade, pertencimento e experiência coletiva no coração da floresta amazônica.

Paulo Henrique Costa é um homem negro, gay, amazônida, fotógrafo autodidata com abordagem autoral e documental e comunicador socioambiental, nascido em Cruzeiro do Sul, no Acre, no coração da floresta amazônica. Venceu o Prêmio Funarte Marc Ferrez de Fotografia – 17ª Edição, da Fundação Nacional de Artes (Funarte) e o Prêmio Fotolivro Artesanal do 4º Festival PhotoThings. Em 2024 e 2025, participou de diversas exposições nacionais e internacionais. Em 2025, lançou os fotolivros Vidas Amazônidas: retratos de um Acre que resiste e Raízes do Juruá – retratos da Amazônia acreana.